
Há um padrão específico e bem reconhecível entre profissionais de alta performance quando o sentido do trabalho começa a se esvaziar: a resposta automática é ação.
Pode ser uma troca de emprego ou de área, o encerramento de uma sociedade. Recomeçar em outra cidade ou país.
O raciocínio, num primeiro momento, aparenta solidez:
“Se sinto que algo está errado, é preciso mudar algo.”
O problema é a sequência das operações; uma mudança tomada antes do diagnóstico não resolve o desconforto, apenas desloca o cenário em que ele, provavelmente volta a aparecer.
Isso acontece porque desconforto não nomeado gera urgência de resolução, e agir parece ser a forma mais rápida e fácil do que realizar uma investigação.
A experiência na área da saúde mental ensina que ação sem diagnóstico não é uma decisão. É muito mais um deslocamento de sintoma.
O high performer em colapso silencioso continua entregando resultados enquanto o seu substrato de sentido se esvazia por dentro. Externamente, nada indica ruptura; internamente, a pergunta “isso aqui ainda faz sentido?” já apareceu e foi silenciada pela próxima entrega.
A questão que precisa ser feita e que precede qualquer mudança real não reside naquilo que poderíamos fazer de diferente, mas numa interrogação honesta e corajosa sobre o que, exatamente, parou de fazer sentido e desde quando.
Sem essa resposta, qualquer mudança é apenas uma versão nova do mesmo problema não identificado.
Essa é a superfície. A estrutura interna desse fenômeno está no Entreatos desta semana.
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